Grécia conta com fundos para pagamentos só até
outubro – Bolsas despencam pelo mundo e o dólar
sobe devido ao medo do calote grego
A Grécia tem capital para se financiar até o mês que vem, disse o vice-ministro de Finanças grego nesta segunda-feira, destacando a necessidade do país em receber a próxima parela de empréstimos da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
O buraco no Orçamento entre janeiro e agosto cresceu para 18,101 bilhões de euros, ante 14,813 bilhões no mesmo período do ano passado. Mas o rombo foi menor que a meta revisada de 18,974 bilhões de euros para os primeiros oito meses do ano, segundo o Ministério.
Entenda
No auge da crise de crédito, que se agravou em 2008, a saúde financeira dos bancos no mundo inteiro foi colocada à prova. Os problemas em operações de financiamento imobiliário nos Estados Unidos geraram bilhões em perdas e o sistema bancário não encontrou mais onde emprestar dinheiro. Para diminuir os efeitos da recessão, os países aumentaram os gastos públicos, ampliando as dívidas além dos tetos nacionais. Mas o estímulo não foi suficiente para elevar os Produtos Internos Brutos (PIB) a ponto de garantir o pagamento das contas.
A primeira a entrar em colapso foi a Grécia, cuja dívida pública alcançou 340,227 bilhões de euros em 2010, o que corresponde a 148,6% do PIB. Com a luz amarela acesa, as economias de outros países da região foram inspecionadas mais rigorosamente. Portugal e Irlanda chamaram atenção por conta da fragilidade econômica. No entanto, o fraco crescimento econômico e o aumento da dívida pública na região já atingem grandes economias, como Itália (120% do PIB) e Espanha.
Um fundo de ajuda foi criado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Central Europeu (BCE), com influência da Alemanha, país da região com maior solidez econômica. Contudo, para ter acesso aos pacotes de resgates, as nações precisam se adaptar a rígidas condições impostas pelo FMI. A Grécia foi a primeira a aceitar e viu manifestações contra os cortes de empregos públicos, programas sociais e aumentos de impostos.