“Dificilmente se evitará o colapso do euro em 2011″ – 16/12/10 – Manuel Maria Carrilho
16/12/10
O antigo ministro da Cultura diz que o tempo dos “paliativos” chegou ao fim e que tudo depende das decisões políticas do Conselho Europeu.
Manuel Maria Carrilho escreve hoje no Diário de Notícias sobre os dias decisivos que se vivem hoje e amanhã, na reunião dos líderes dos 27 países da UE em Bruxelas.
“Na mesa, estará uma alternativa a que o Conselho Europeu não pode fugir durante muito mais tempo. E essa alternativa é simples: ou a UE assume, e começa rapidamente a concretizar, o complexo projecto de um Governo económico da Zona Euro. Ou dificilmente se evitará o colapso do euro em 2011. Tudo o mais são de facto paliativos, como rapidamente se verificará”, diz o antigo ministro da Cultura.
Para Carrilho, “é fundamental perceber-se que o grande problema da Europa não é hoje financeiro ou orçamental (…) o grande problema da Europa é eminentemente político e resulta, como há dias explicava Helmut Schmidt, da falta de visão e de vigor das suas actuais lideranças”.
De resto, continua Carrilho, “como se viu pela lenta e equívoca reacção dos mercados ao apoio europeu à Irlanda, o que hoje mais fragiliza a União Europeia é a sua arquitectura “constitucional”, com a imagem de desorientação, de conflitualidade e de incapacidade que ela constantemente projecta”.
O socialista alerta ainda que “com modelos, ritmos e objectivos económicos divergentes, a UE continuará sem estratégia para enfrentar a crise, bloqueada pelo endividamento, incapaz de crescimento e cada vez mais depressiva – isto é, cada vez mais presa fácil da especulação dos mercados”. E acrescenta que “só a solidariedade dará ao euro a consistência que lhe tem dramaticamente faltado”.
Diz Carrilho que, “A oportunidade é agora – e é talvez a última. Tudo depende das decisões políticas deste Conselho Europeu”.
Os últimos dias do Euro
Algo vai acontecer na Zona Neuro ao longo dos próximos tempos. Tempos muito curtos.
Não é a afirmação dum blog à procura de notícias bombásticas, mas a análise dos homens do Credit Suisse. Gente séria, que não tem vontade de rir. Aliás, quando alguém do Credit começar a rir, logo é multado, mesmo que esteja fora de serviço. Não acaso são Suíços.
Os analistas afirmam que o Euro, tal como ficou conhecido, tem os dias contados. Não meses, mas dias mesmo. Isso não significa o fim do Euro, pelo que podem repor a garrafa de champanhe na prateleira. Significa o seguinte, segundo os homens que nunca riem:
Devem acontecer coisas extraordinárias, e possivelmente não além da metade de Janeiro, para impedir o fecho progressivo de todos os mercados dos Títulos de Estado da eurozona, com a possibilidade que na mesma altura haja ataques especulativos até contra os bancos mais fortes.
Mas porquê? Por causa do caos. A Zona Neuro tornou-se algo de esquizofrénico, com reuniões urgentes uma semana sim e a outra também, com escolhas cada vez apresentadas como “decisivas” que são a antecâmara de novas escolhas ainda mais decisivas, numa dança sem fim no horizonte.
O fecho dos mercados não é um paradoxo, mas a inexorável lógica dos investidores que já não sabem o que estão a comprar:
No curto prazo, isso não pode ser resolvido pelo Banco Central Europeu ou pelos governos de Grécia, Italia ou Espanha. O problema é que os mercados precisam de sinais credíveis sob forma de união fiscal e política bem antes da possíveis modificações dos tratado.
Dito de outra forma: a lenta e pesada máquina de Bruxelas não tem os meios para responder com eficácia e nos tempos que seriam precisos.
Isso porque, acrescentamos nós, o Euro nunca foi pensado para funcionar, sendo outros os verdadeiros objectivos. Mas este é outro discurso.
Isso porque, acrescentamos nós, o Euro nunca foi pensado para funcionar, sendo outros os verdadeiros objectivos. Mas este é outro discurso.
Sempre segundo os analistas, esta situação implica o fim da maneira como as coisas foram feitas até agora, “aos saltos”, em favor de medidas mais drásticas:
Só nesta altura o BCE estará disposto a fornecer o “ponte” financeiro necessário para evitar o colapso sistémico e pensamos que o debate acerca da união fiscal entrará no vivo já nesta semana, quando a Comissão publicar um novo relatório das três opções para os Eurobond.
Até quando o debate não chegar a soluções concretas, os mercados continuarão a sentir fortes pressões e o paradoxo é que pressão sobre Italia e Espanha pode piorar, apesar das medidas dos novos governos, com rendimentos acima do 9% ao longo dum curto prazo.
Na verdade, será possível observar os rendimentos dos títulos franceses acima de 5% e até os alemães em subida.
Resumindo: o destino do Euro está prestes a ser decidido. E não serão as Mentes Pensantes de Bruxelas a decidir, mas as pressões dos mercados.
Mais uma vez a demonstração de como as escolhas tenham origem na economia e não na política.
Caso ainda haja dúvida.
Caso ainda haja dúvida.
Ipse dixit.
The Economist: Euro pode colapsar “dentro de semanas”
Revista britânica dá apenas algumas de semanas de vida ao euro
A The Economist publicou este sábado dois artigos onde alerta para o risco do colapso do euro em apenas algumas semanas, caso a Alemanha e o Banco Central Europeu (BCE) não tomem medidas rapidamente.
Sublinhando que a “a crise na zona euro está a tornar-se em pânico e a mergulhar a região numa recessão”, a prestigiada revista alerta que “o risco de a moeda única se desintegrar dentro de semanas é alarmante”.
E continua: “mês após mês, a crise do euro alastrou-se da periferia da zona euro para os países núcleo. Primeiro a Grécia, depois a Irlanda e Portugal, depois a Itália e Espanha”. Mais recentemente as obrigações da Bélgica e França foram castigadas pelos investidores e a crise de dívida bateu à porta da Alemanha. Berlim foi ao mercado esta semana, mas só conseguiu colocar 60% da dívida pretendida, no leilão com menos procura desde 1999, lembra ainda a The Economist.
Pior, “existem sinais de que a zona euro caminha para uma recessão, se é que já não estará nessa situação”, nota, dando o exemplo das encomendas à indústria na zona euro, que desceram 6,4% em Setembro, o maior declínio desde Dezembro de 2008.
Por tudo isto, diz a publicação, “é agora mais provável uma calamidade ainda maior. A intensificação das pressões financeiras aumenta as probabilidades de um ‘default’ desordenado de um país, uma corrida aos depósitos dos bancos ou uma revolta contra a austeridade que marcaria o início do fim da zona euro”.
“Mesmo com a zona euro a caminhar inevitavelmente para um crash, a maioria dos cidadãos assume que, no último momento, os políticos tomarão medidas para salvar o euro”, diz a The Economist.
A revista britânica tece ainda duras criticas à forma como a chanceler alemã, Angela Merkel, e o BCE têm gerido a crise de dívida. “A cautela da chanceler Angela Merkel pode ser implacavelmente eficiente na política, tal como testemunhado na forma como ajudou a puxar o tapete a Sílvio Berlusconi. Mas a crise de dívida é mais difícil de manipular. Juntamente com líderes de outros países, recusa-se a reconhecer a extensão do pânico nos mercados. O BCE rejeita a ideia de actuar como um financiador de último recurso para os governos em apuros, mas solventes”, afirma.
Na opinião da revista, “a actual situação não pode continuar por muito mais tempo. Sem uma mudança dramática por parte do BCE e dos líderes políticos, a moeda única pode desintegrar-se dentro de semanas. Vários eventos, desde a falência de um grande banco ao colapso de um governo, podem causar a sua morte”.
O artigo da The Economist surge numa altura em que a Itália está sob uma enorme pressão dos investidores, com as ‘yields’ a atingirem recordes no mercado não regulamentado ‘over the counter’ (OTC), mesmo com o BCE a comprar dívida do país agora liderado por Mario Monti. Além disso, os custos de financiamento de Roma estão a disparar. Itália pagou um juro de 6,5% numa emissão de dívida a seis meses realizada na sexta-feira, quase o dobro face aos 3,535% registados no último leilão comparável, realizado há apenas um mês.
O porta-voz do Presidente francês admitiu hoje que a crise italiana representa uma ameaça para a zona euro. Isto depois de Nicolas Sarkozy e Angela Merkel terem alertado Mario Monti de que o colapso de Itália levará inevitavelmente ao fim do euro e a uma interrupção do processo de integração europeia com consequências imprevisíveis”. O alerta de Berlim e Paris terá sido feito durante a mini cimeira que reuniu na passada quinta-feira os três dirigentes em Estrasburgo (França), segundo um comunicado do Governo italiano publicado na sexta-feira após um conselho de ministros.
Também Espanha está à beira do resgate. A Reuters avançou na sexta-feira que Madrid estaria a ponderar pedir ajuda externa, uma informação que foi imediatamente desmentida pelo Governo espanhol.
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